sexta-feira, 10 de junho de 2011

As cidades são psicólogas (Repost)


É engraçado perceber como as certezas (humanas) que temos de nós mesmos desaparecem em poucos segundos diante de alguns fatos ou lugares. Me dei conta disto agora, quando por mais uma vez, estou distante de minha costumeira Belo Horizonte.

Como resistir ao jeito matreiro, sedutor, tinhoso, boêmio, preguiçoso, saudosista, “leso” até, que algumas cidades impõem sobre nós? O ar parece-me inebriado de sentimentos ou de estados talvez, que são próprios de um povo ou de um local.

As cidades têm o poder de fazer que nos sintamos de forma diferente simplesmente pelo fato de estarmos lá. Há uma aura, um espírito, uma névoa, ou o que queiram chamar, que nos impele a ter atitudes que para nós é impensável, ou para pensarmos nossas vidas de maneira com que nunca pensamos em nossas cidades natais. Isto, a meu ver, nos leva a refletir como somos seres instáveis e inconstantes, e como nosso julgamento de realidade é falho e tendencioso, e que nossas escolhas jamais seriam as mesmas em outras circunstâncias.

Você já se imaginou fazendo placas com estrume de vaca, ou ficando dias e dias em silêncio, meditando? Com certeza não, mas por mais que isto lhe pareça improvável, se estive na Índia isto seria uma possibilidade completamente viável. Da mesma forma, viver num barco a deriva poderia ser uma experiência apavorante por aqui, mas apaixonante em Veneza, Viena ou Paris.

Tudo o que somos (ou o que pensamos ser) é relativo. Os sociólogos já diziam que somos fruto do meio. Nunca acreditei tanto nisto quanto agora. O que nos muda então? Um lugar? Viajar é fantástico, melhor ainda é utilizar-se disto para se questionar sobre o que realmente importa na vida, na minha vida, na sua vida, na vida nossa, do planeta, do universo.... E buscar o equilíbrio. Se formos fruto mesmo do meio, sejamos frutos de vários meios. Assim poderemos estar mais próximos Daquele que se fez diverso tornando-nos semelhantes a si !

Sejamos!