terça-feira, 22 de maio de 2018

05. Amar até os confins da terra!

"Mas recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e a Samaria, e até os confins da terra". At 1, 8


No último domingo, na liturgia católica, fechamos o tempo pascal com a celebração de Pentecostes. A descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus Cristo marca um tempo novo para eles, e por consequência também para nós. É dom trinitário dado aos fiéis em profunda comunhão com o Pai e o Filho. O Espírito Santo nos possibilita vivermos um "novo existir" rumo a novos céus e nova terra. Seguindo a Cristo, movido pelo Espírito, somos animados a deixar para trás atitudes de julgamento moralista e assumir uma posição de acolhida, empatia e misericórdia. Esta é nossa crença a respeito do Espírito Santo: somos agora novas criaturas.

Como a nossa, a caminhada dos discípulos com Jesus e cheia de altos e baixos, de afirmações de fé e dúvidas, de acolhidas e negações. A proposta do Reino de Deus apresentada por Jesus não é algo que se compreende somente com a razão. É no caminho que os discípulos vão aprendendo com Jesus que a proposta de Jesus, recebida do Pai, é sempre proposta de vida, e vida em abundância! É a relação de amor entre o Pai e Jesus o grande legado da mensagem de Cristo. E este AMOR maior a riqueza que ele nos deixa.

O livro dos Atos dos Apóstolos, em seu primeiro capítulo descreve este dom do amor dado aos discípulos. Eles recebem uma força. Certamente a força aqui não é um poder autoritário ou de governo, como podemos erroneamente pensar. A força que Jesus deixa aos discípulos através de seu Espírito só pode ser a força que ele mesmo tinha, ou seja, o amor incondicional. Acolher e viver este amor no cotidiano não nos deixa outra opção: sermos testemunhas de seu amor até os confins da terra.

Receber o Espírito Santo e ser testemunhas de Cristo é agir como ele agiu. Torna-se contraditório celebrar com júbilo a descida do Espírito Santo sobre os discípulos e não aceitar que ele age onde e quando quer. O Espírito Santo não é algo controlado por nós. Pelo contrário, é dom gratuito, sopra longe ou perto, em mim e no diverso a mim, nos cristãos e nos não cristãos. Em Jesus, TODOS os povos são redimidos. E da mesma forma, como os discípulos aos poucos notaram, todos podem receber e manifestar os dons dados pelo Espírito. Não são nossos méritos que garantem que os receberemos. Ao contrário, é receber o Espírito Santo que nos torna criaturas novas, capacitadas para viver no poder do amor: acolher os irmãos na medida do amor com que ele nos amou.

Com seu Espírito podemos transpor as barreiras de nossas crenças pessoais e quebrar os preconceitos, construir pontes, agir com empatia e misericórdia. A lei agora não é um livro, uma pessoa ou uma instituição. A lei é amor. Acolhendo o Espírito podemos sair de nossos egoísmos e dizer aos irmãos como Jesus: "Levanta-te, vem aqui para o meio" (cf. Mc 3, 1-5). No meio não há diferença, todos somos iguais, como filhos de Deus Pai, seguindo os passos de Jesus e animados por seu Espírito.

Lao-Tse dizia que "ser profundamente amado por alguém nos dá força; amar alguém profundamente nos dá coragem". Esta frase nos ajuda a entender que os discípulos, sentindo-se profundamente pelo Pai em Jesus, receberam força e puderam também eles amar a todos, sem distinção, sem preconceitos, longe dos julgamentos e dualismos morais. Daí nasceu a coragem que ele tiveram para anunciar o evangelho e a mensagem de Jesus. Que também nós, após celebrar Pentecostes e já nos preparando para celebrar a festa da Santíssima trindade tenhamos a coragem para transmitir a mensagem deste amor que não tem barreiras.

Sejamos!!!

Postado por Ir. Anderson Barroso, fsg

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