terça-feira, 12 de março de 2019

15. Assumir a nossa humanidade


"Nada pesa tanto quanto o coração quando está cansado." - José de San Martín

Esta última semana acompanhei três pessoas muito próximas em três situações complexas na vida. Uma delas tentando viver a experiência da aproximação da morte de sua avó. As outras duas tentando superar a situação de doença grave de suas mães. Penso que uma delas com o coração apertado por estar longe dela e pela impotência de nada poder fazer. A outra que teve a oportunidade de fazer-se próxima fisicamente, mesmo abrindo mão de seus projetos pessoais, mas que nem por isto está livre do peso dos desafios da vida. Estas três pessoas estiveram muito presentes nas minhas orações cotidianas porque me dizem também um pouco da experiência de Cristo.

Claro, é difícil imaginar o quão doloroso pode ser a perda de uma pessoa que amamos muito e o quanto não queremos que elas partam. Mas diante desta situação percebemos quem de fato somos e como estamos vivendo a nossa experiência da vida humana.

De um lado dou graças a Deus porque estão fazendo, na dor, uma das experiências humanas mais intensas e belas. Deixar-se afetar pela dor do outro não é para qualquer um. É para gente que tem coração, que sente na pele a dor física e também emocional do outro. Sabe que as pessoas tem valor e que a vida tem valor. É quando percebemos que os outros se tornaram sacramento em nossa vida. Sacramentos que no fundo são sinais da presença de Deus em nossa vida. A importância da vida é ainda mais clara e forte no perigo de sua perda. 

Por outro lado, assumir nossa humanidade é também acolher nossa fragilidade. Da mesma forma que afetar-se permite exercer a empatia, afetar-se abre-nos para a possibilidade de também nós estamos sofrendo (de maneira física ou emocional) com a dor do outro. É quando nos damos conta que os limites da existência são muito maiores que nós, nos damos conta da finitude da vida. E como não conseguimos aceitar e acolher serenamente esta condição acabamos inundados pelo sentimento da tristeza e, por vezes, até mesmo por estados emocionais bem mais intensos e mais graves.

Somos seres frágeis. Nos quebramos facilmente. Nós e as pessoas que temos ao nosso lado também. Assim o somos e não precisamos querer deixar de ser. Deus, sendo o todo poderoso quis fazer-se frágil acolhendo a condição humana. Quis estar junto dos que tinham fome, dos que tinham sede, dos que eram estrangeiros, dos que estavam nus, dos estavam na prisão ou doentes. Mais do que estar junto, ele quis ser um desses (cf. Mt 25,31-46). Quis ele acolher a finitude da vida para transcendê-la de forma definitiva. Jesus nos aponta que Nele a finitude torna-se porta para uma experiência de presença que não pode mais deixar de existir.

A vida vence sempre, mesmo que agora transformada pela ressurreição dada em Cristo. Acreditemos nisto, cuidemos dos outros e cuidemos de nós mesmos, pois ambas centelhas apontam a Luz que emana da Trindade. Estejamos juntos uns aos outros e possamos nós contar com os samaritanos nos momentos em que nós formos os "homens e mulheres feridos ao longo da estrada" (cf. Lc 10,25-37). 

Sejamos!!!

Postado por Ir. Anderson S. Barroso 

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