domingo, 31 de maio de 2020

O mundo da "insignificância" (parte 2)



"Quando Jerusalém celebrava a festa de Pentecoste era a festa da messe, o fim da colheita. Para a Igreja cristã nascente é a saída dos primeiros brotos. É o fim de tudo que se torna começo. Estava tudo terminado, mas é agora que sua Igreja começa."

A compreensão da fé, a que chamamos teologias, "acham-se estreitamente ligadas às perguntas que provêm da vida e dos desafios que a comunidade cristã enfrenta em seu testemunho do Reino (de Deus)". Há elementos permanentes, mas para manter-se atual depende, de certa forma, da capacidade de interpretar como a fé é vivida em certa circunstância e tempo. Mais do que perguntar-nos pelo futuro de uma teologia, essencial é interrogar-nos "pela vigência e consequências dos grandes temas da Revelação cristã que ela pôde recordar e colocar na consciência dos que creem" (GUTIÉRREZ, 2014, p. 61-62). Neste sentido, retomar o episódio da descida do Espírito Santo, em Pentecostes, pode ajudar-nos a continuar nossa reflexão a respeito do mundo da "insignificância". 

Perguntas e desafios sobre como vivenciar a fé nos nossos dias certamente não faltam. A realidade alarmante da pandemia que instalou-se em todo o mundo trouxe à luz com extraordinária crueza a realidade já apresentada por Gutiérrez: a passagem da modernidade para a pós-modernidade, marcada pelo conceito relativizado de verdade com crescente avanço de atitudes e comportamentos individualistas (inclusive na vivência da fé) criou um ambiente ainda mais propício para a invisibilização social de uma parcela muito grande da sociedade. Temos visto claramente, pelo discurso de vários líderes governamentais e donos de grandes empresas que o mercado e a economia são tratados como sendo mais importantes que a vida das pessoas. Sem nos determos aqui, o Papa Francisco já alertava para o perigo deste tipo de compreensão, dizendo da dignidade inerente ao ser humano em vista do próprio dom de Deus: "Cuidar das pessoas, que são mais importantes do que a economia. Nós, pessoas, somos templo do Espírito Santo; a economia, não." (FRANCISCO, 2020).

O que Francisco denuncia dizendo da fragilidade dos povos indígenas na situação de pandemia na região amazônica vai de encontro com uma realidade mais ampla destes povos: a tentativa de calar a voz dos povos indígenas na luta por seus direitos. As áreas de reserva indígena, sua terra sagrada, cada dia mais atacadas em vista da industria extrativista e da pecuária. Sua cultura, seus costumes e valores sendo denigridos em discursos oficiais em plena capital nacional (não nos esqueçamos que também aí, há 23 anos era assassinado covardemente o índio Galdino Jesus dos Santos, por cinco rapazes da alta sociedade brasiliense). O valor de suas vidas sendo relegado à quase nada (ou nada). Uma elite social que entende a vida indígena, a vida pobre, como sendo algo com o que se brinca ou que se despreza totalmente. Insignificantes pois sem valor de mercado, só podem gerar lucro se perdem suas terras, suas culturas, suas vidas.

Ao mesmo tempo estamos sendo moralmente vilipendiados por uma onda neofascista (com consequências racistas, sexistas, lgbtfóbicas, misógenas) que tomou conta de alguns dos grandes países das Américas. Nesta semana, por exemplo, o brutal assassinato de  George Floyd por um policial trouxe à tona (mais uma vez) o histórico de violência policial contra a população negra nos EUA, sem maiores consequências para os responsáveis. Um surto de manifestações populares, com diversos lugares incendiados e postos policiais e públicos depredados foi a realidade dos últimos dias em diversos estados do país que se diz o mais importante do mundo. Mais uma consequência de uma sociedade de poder que trata como insignificantes tudo o que é diferente de si. 

A situação no Brasil é ainda mais alarmante, pois maior a invisibilização da perda de vidas da população negra e periférica. A morte do jovem João Pedro, morto durante uma operação policial no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ) é apenas o último caso conhecido disto. Podemos tomar como análise a relação entre o número de vidas ceifadas e a consequente comoção pública da pandemia do COVID 19 no Brasil - até o momento aproximadamente 30 mil mortos. Segundo a ONU, porém, a cada ano morrem no Brasil quase 23 mil jovens negros vítimas da violência que sofre a esta população. Uma realidade de dor, vivida por milhares de famílias negras e quase totalmente silenciada pelos que não se inserem neste contexto nefasto.

Outra população que sofre as consequências do mundo da insignificância é a população LGBTQIA+, muitas vezes também a perda de vidas. Desonrosamente o Brasil sustenta o título de país em que mais se matam pessoas deste grupo no mundo. Só em 2019 foram 329 mortes violentas motivadas por lgbtfobia. Uma morte a cada 26 horas. Isto os números oficiais; os números reais seriam ainda maiores. Como apontava Gutiérrez, a pós-modernidade paradoxalmente diz valorizar o diverso, o diferente, mas na prática não aprendeu a conviver de maneira digna com ele.

Frente à todas estas realidades, o que fazer? Assumir o discurso de fundo apocalíptico e esperar que chegue o fim? Continuar na lógica do mundo da insignificância que atinge muitos de nossos irmãos e irmãs, sobretudo vendo-os ter suas vidas arrancas, sua dignidade desrespeitada, sua existência negada? Parece-nos que não. Para os cristãos, o fim da vida de Jesus, sua Ressurreição, sua ida para o Pai e o envio do Espírito Santo em Pentecoste impõe uma nova maneira de entender a realidade. Quando Jerusalém celebrava a festa de Pentecoste era a festa da messe, o fim da colheita. Para a Igreja cristã nascente, por sua vez, é a saída dos primeiros brotos. É o fim de tudo que se torna começo, é o prelúdio da missão da comunidade. Estava tudo terminado, mas é agora que sua Igreja começa.

A ação do Espírito faz que a comunidade se lance à diversidade e ao respeito mútuo. Não há possibilidade de existência comunitária sem a existência na diferença. As pessoas, em suas culturas e raças diferentes, podem ouvir e se ouvidas (cf. At 2,1-11). A mensagem do Deus da vida alcança à todos, sem distinção. E o faz, no Espírito, pois todos somos um em Cristo: "A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito" (Cor 12,7.12-13). O relato paulino nos ajuda a entender como a comunidade de discípulos de Jesus se lança no desafio de construir uma nova sociedade (o Reino de Deus que já começa aqui) onde não há mais diferenças. Todos são chamados à vida plena em Deus, na Trindade. TODOS. A vida de todos tem valor e não pode ser "insignificada". 

Mais do que assumir o propósito de buscar acolher quem pensa, sente e vive de modo diferente do nosso (isto seria o mínimo), o cristão verdadeiro, movido pelo Santo Espírito é chamado a implicar-se na luta por toda vida, humana e de toda a criação. No fundo, o mistério da vinda do Espírito dota o ser humano de sua missão original: ser guardião da criação, da vida, como no jardim do Éden. Cabem aqui algumas últimas palavras de Gustavo Gutiérrez, que embora não escritas neste contexto, poderiam sem esforço ser lidas nele: "As novas situações demandam novos métodos de uma práxis libertadora. Precisamos estar atentos para não reassumir um verticalismo que desconsidera o Deus encarnado nem um horizontalismo socioeconômico-político. [...] A problemática é tão dramática que a Igreja nada pode fazer senão enfrentá-la" (GUTIÉRREZ, 2014, p. 34-35).


domingo, 24 de maio de 2020

O mundo da "insignificância" (parte 1)



Falamos dos pobres como dos ‘insignificantes’, na medida em que sua dignidade humana e sua condição de filhos e filhas de Deus não é reconhecida pela sociedade contemporânea. É um termo que nos permite recordar, além do mais, que para aquele que crê em Deus, que não faz acepção de pessoas, ninguém pode ser insignificante (MÜLLER & GUTIÉRREZ, 2014, p. 131).


No livro "Ao lado dos pobres", publicado em 2014 pela editora Paulinas, Gustavo Gutiérrez e Gerhard Ludwig Müller nos ajudam a retomar, frente aos desafios hodiernos, o significado e os clamores que a presença dos pobres implica para os cristãos, sobretudo aqueles da América Latina. No quinto capítulo, intitulado "Onde dormirão os pobres", Gutiérrez, de maneira clara mostra-nos como a pobreza deve ser vista frente às mudanças econômicas, políticas, culturais e eclesiais de nosso tempo. Fazemos aqui um resumo do texto, na esperança que este possa animar-te à leitura do texto completo.

GUTIÉRREZ, Gustavo. Onde dormirão os pobres? In: MÜLLER, Gerhard Ludwig; GUTIÉRREZ, Gustavo. Ao lado dos pobres: Teologia da Libertação. São Paulo: Paulinas, 2014. p. 111-160. 
As mudanças econômicas, políticas, culturais e eclesiais impele-nos um movimento contínuo de análise da realidade e de novas propostas (p. 111). Na linha de João XXIII, é manter-se aberto ao que o Senhor nos diz através dos acontecimentos históricos, tendo como parâmetro de análise o próprio evangelho. Assim sendo, a pergunta para estes tempos seria: "No mundo da revolução tecnológica e da informática, da 'globalização' da economia, do neoliberalismo e do pretenso pós-modernismo, há lugar para os que hoje são pobres e marginalizados?" Onde irão eles dormir? (p. 112).

A reflexão teológica, historicamente situada, tem como meta o serviço à vida cristã e à missão evangelizadora, anunciando a salvação em Cristo apresentada no evangelho. Não busca sua própria afirmação. Como Deus em relação com o ser humano, interessa-se por seus sofrimentos e angústias, alegrias e esperanças (p. 113-115). Assim, a Teologia da Libertação, de maneira particular, contribui fundamentalmente propondo sua reflexão a partir da opção preferencial pelo pobre. Opção evangélica e presente já anteriormente no mundo cristão, mas que retoma “nova vigência nas circunstâncias atuais” (p. 116-117). Como preferência, deve apontar para os primeiros destinatários, e não para os únicos. Em sua raiz está a gratuidade de Deus. “É uma opção teocêntrica e profética”, já que devemos amar como Deus ama, estando a serviço daqueles que não podem dar nada em troca. O gesto ao pobre, ganha assim um sentido evangélico e insere-se no mistério da encarnação: “é um ato dirigido ao próprio Cristo” (p. 118-120).

A lógica da gratuidade vinda de Deus e que dá sentido à opção preferencial depara-se, por sua vez, na atualidade, com uma mundo cada vez mais globalizado, em especial uma economia planetária. Por um lado, o desenvolvimento da ciência e da técnica abriu caminhos para uma realidade fascinante, com ampla capacidade de comunicação, potencialidades de domínio da natureza e consumo ilimitado. Esta realidade, porém, concretiza-se somente à um certo grupo social com devido conhecimento tecnológico. No lugar de fascinante, para os “insignificantes da história”, ou seja, os pobres, esta realidade globalizada pode se tornar cruel (p. 121). O mercado autorregulado passa a ser “o princípio quase absoluto da vida econômica”, fazendo que as grandes economias subjuguem e controlem as menores, que passam a portar dívidas sufocantes. Do cenário bipolar do século XX passamos a um cenário unipolar, muito mais nos campos políticos e militares do que no econômico, o que implica adotar novos métodos de análise (p. 122-124). Um novo momento, em que, ao contrário dos séculos anteriores onde a ética, em especial a cristã, poderia ser logicamente associada à economia. A atual economia “desafia as normas morais admitidas comumente” já que tem como seus motores “a inveja, o egoísmo, a cobiça”. Esta inversão de valores fundamenta-se no fato de que o “injusto é útil e o justo não é”. No fundo a atual ordem econômica é movida por ‘estruturas de pecado’, que com hipocrisia defende um liberalismo econômico desligado de outras liberdades, causando enormes injustiças sociais (p. 125-128).

A conjuntura atual é como aquela apresentada por Lucas: um homem rico com um pobre jazendo em sua porta (Lc 16,19.20). Ao contrário do texto lucano – onde o pobre tem um nome, mas o rico não – os pobres de nosso tempo são anônimos, como “peças descartáveis” predestinadas à insignificância. E o que se diz em relação às pessoas aplica-se também às nações. É do “desafio que representa para a fé a maciça e desumana pobreza” que nasce a Teologia da Libertação. Ela se defronta hoje com um problema ainda mais grave do que no momento de seu surgimento: uma distância cada vez maior entre ricos e pobres, dificuldade de acesso ao mercado de trabalho pelos pobres, visto o desenvolvimento da técnica, exclusão não somente econômica, mas também social, política e cultural. A humanidade se configurou em dois setores, um importante e com poder de decisão, outro excluído e irrelevante (p. 129-131).

Mesmo que os pobres não sejam passivos diante desta realidade de exclusão e insignificância, movidos criativamente muitas vezes pela esperança que a fé cristã inspira, vemos que esta pobreza desumana causa, em seus limites, morte prematura e injusta deles. Questão mundial, esta, que se “dirige a toda consciência humana e a uma concepção cristã de vida”. Assim sendo, a experiência latino-americana faz-nos perceber que “os mais fracos são um critério para decidir acerca da justiça existente em uma sociedade”. Justiça esta que se consolida socialmente a partir de aspectos econômicos, políticos, mas também culturais, que moldados pela lógica do mercado, reforçam o esquecimento dos insignificantes (p. 132-134).

Sem aprofundar por demais, vemos como a situação descrita se insere no movimento de reação da pós-modernidade contra os grandes temas da modernidade. Na busca pela liberdade dos indivíduos, negam-se agora os grandes relatos da modernidade, que não foi capaz de cumprir suas promessas. Isto é importante na compreensão dos insignificantes. Mundo este no qual as visões “totalizadoras da história”, que muitas vezes manipulavam os pobres, são questionadas. Entretanto o pensamento pós-moderno alcançou o extremo oposto, desautorizando todo o sentido da história, gerando um individualismo narcisista, altamente indiferente à realidade do outro. Paradoxalmente, valorizando a pluralidade e os pequenos relatos o saber pós-moderno ajuda-nos a estarmos mais atentos ao que é local e diferente. Ganham força na América Latina o discurso e a luta dos direitos das populações indígenas, negras e das mulheres. A religiosidade que a modernidade dizia estar fadada à extinção ganhou nova vitalidade, mas algumas vezes como “religiosidade difusa e confusa”, sem espaço para a utopia, para a crença em uma outra realidade (p. 135-140).

Os pontos até então apresentados pertencem originalmente à mensagem cristã. É a maneira de tratá-los frente aos desafios hodiernos que constitui novidade. Da mesma forma o anúncio do Evangelho, que a partir da perspectiva da nova evangelização centra-se no “mistério de Cristo e da sua Igreja e simultaneamente” está aberto ao mundo. Assim a Teologia da Libertação pode pensar a relação entre liberdade e libertação. Paulo faz uma distinção entre duas liberdades: a “liberdade de” e a “liberdade para” (Gl 5,1). A primeira aponta para as realidades de pecado que causam “ruptura da amizade com Deus e com os outros”. É o amor salvífico do Cristo que promove esta libertação. Paulo vai, contudo, além dela. A “liberdade para” aponta o para quê da “liberdade de”, “conferindo seu sentido profundo”. Somos libertados para amar, de forma gratuita, como Deus (Gl 5,13). Aqui acresce-se o tema da verdade: “e a verdade vos libertará” (Jo 8,32), sendo a verdade o próprio Cristo. A liberdade, desta forma, encontra seu “verdadeiro sentido quando prepara as pessoas para entrarem em relação com Deus e a estarem a serviço de outros, com um relevo especial nos mais pobres e despossuídos” (p. 141-143).

É um buscar ‘em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça’ (Mt 6,33), a partir da liberdade e da libertação – temas profundamente bíblicos – que só podem vir de Deus. Se seguirmos este princípio caminhamos na contramão da idolatria. “Hoje, no contexto neoliberal, o mercado, o lucro são objeto de um culto idolátrico”. É necessário, todavia, alguns cuidados: a) não fazer da justiça uma espécie de ídolo, sem justa proximidade e atenção aos destinatários desta justiça, pois são eles mesmos os atores que melhor sabem o que querem e necessitam; b) não fazer dos pobres uma espécie de ídolo, idealizando-o como algo sempre bom, verdadeiro e, de certo modo, sagrado, pois “a razão última do compromisso com os pobres” reside “na bondade de Deus”; c) não fazer da própria teologia uma espécie de ídolo, pensando que ela é “mais importante do que a fé que a ilumina” ou “mais do que a realidade que ela procura expressar”, pois são antes os anônimos para a sociedade – mas não para Deus – as verdadeiras testemunhas. Neste sentido a tradição mística da Igreja, presente na Teologia da Libertação desde o seu início, pode auxiliar a afastar “tudo aquilo que, de algum modo, está infectado de idolatria e de ensinamentos, que nos fazem colocar o que ‘será dado em acréscimo’ no primeiro lugar em nossa busca” (p. 144-148).

Em Deus a questão do ‘outro’ ganha novos contornos. Alcançamos a condição de ver no pobre o “outro de uma sociedade cada vez mais satisfeita consigo mesma”. Como já acenado, os povos indígenas, populações afro-ameríndias e mulheres inauguram um novo momento de diálogo e entendimento das identidades. “Eles não são conjuntos uniformes”. E para anunciar o Evangelho nestes contextos precisamos abrir-nos ao diálogo que profundamente respeita o outro e valoriza suas particularidades. Implica-se, para tal, consciência da própria identidade. “O ceticismo, o relativismo, o ‘pensamento fraco’” comuns na pós-modernidade “não conseguem encontrar a linguagem adequada para um diálogo realmente respeitoso e proveitoso”. O cristão, não obstante, deve estar atento ao que o Senhor pode nos dizer a partir de “outros ângulos humanos, culturais e religiosos” (p. 149-151).

Em face destes grupos descobrimos também a importância da solidariedade, que para os cristãos “expressa um amor eficaz por todos e em particular pelos mais indefesos da sociedade”. Vista pelo neoliberalismo como algo arcaico que impede o desenvolvimento dos povos, na visão cristã é sinal de um tempo de libertação que faz reaver a igualdade, que gera vida onde antes havia morte. Desta atitude de solidariedade bíblica (o ano jubilar) pode-se tirar duas consequências para os dias atuais: o destino universal dos bens da terra e a questão do possível perdão da dívida externa dos países mais pobres. Tudo isto, em justa medida, advém de proclamarmos nossa fé em um Deus da vida. “A opção pelos mais pobres é, justamente, uma opção pela vida”. Isto é atestado pela experiência de perseguição e martírio ocorrida em nosso continente, que remetida à morte injusta e violenta de Jesus, faz-nos “sensíveis ao dom da vida que recebemos de Deus” e que é confirmada pela ressurreição de Jesus. Também a experiência latino-americana ampliou a perspectiva de solidariedade, agora alcançando toda a natureza e a defesa dos direitos humanos (p. 152-158).

Para finalizar, parece que diante de todo o exposto, a grande urgência do tempo presente é dar sentido à existência humana. “Sem isso, [...] a luta por uma ordem social mais justa e pela solidariedade humana perdem energias e carecem de estímulo” (p. 159-160).

terça-feira, 12 de março de 2019

Assumir a nossa humanidade


"Nada pesa tanto quanto o coração quando está cansado." - José de San Martín

Esta última semana acompanhei três pessoas muito próximas em três situações complexas na vida. Uma delas tentando viver a experiência da aproximação da morte de sua avó. As outras duas tentando superar a situação de doença grave de suas mães. Penso que uma delas com o coração apertado por estar longe dela e pela impotência de nada poder fazer. A outra que teve a oportunidade de fazer-se próxima fisicamente, mesmo abrindo mão de seus projetos pessoais, mas que nem por isto está livre do peso dos desafios da vida. Estas três pessoas estiveram muito presentes nas minhas orações cotidianas porque me dizem também um pouco da experiência de Cristo.

Claro, é difícil imaginar o quão doloroso pode ser a perda de uma pessoa que amamos muito e o quanto não queremos que elas partam. Mas diante desta situação percebemos quem de fato somos e como estamos vivendo a nossa experiência da vida humana.

De um lado dou graças a Deus porque estão fazendo, na dor, uma das experiências humanas mais intensas e belas. Deixar-se afetar pela dor do outro não é para qualquer um. É para gente que tem coração, que sente na pele a dor física e também emocional do outro. Sabe que as pessoas tem valor e que a vida tem valor. É quando percebemos que os outros se tornaram sacramento em nossa vida. Sacramentos que no fundo são sinais da presença de Deus em nossa vida. A importância da vida é ainda mais clara e forte no perigo de sua perda. 

Por outro lado, assumir nossa humanidade é também acolher nossa fragilidade. Da mesma forma que afetar-se permite exercer a empatia, afetar-se abre-nos para a possibilidade de também nós estamos sofrendo (de maneira física ou emocional) com a dor do outro. É quando nos damos conta que os limites da existência são muito maiores que nós, nos damos conta da finitude da vida. E como não conseguimos aceitar e acolher serenamente esta condição acabamos inundados pelo sentimento da tristeza e, por vezes, até mesmo por estados emocionais bem mais intensos e mais graves.

Somos seres frágeis. Nos quebramos facilmente. Nós e as pessoas que temos ao nosso lado também. Assim o somos e não precisamos querer deixar de ser. Deus, sendo o todo poderoso quis fazer-se frágil acolhendo a condição humana. Quis estar junto dos que tinham fome, dos que tinham sede, dos que eram estrangeiros, dos que estavam nus, dos estavam na prisão ou doentes. Mais do que estar junto, ele quis ser um desses (cf. Mt 25,31-46). Quis ele acolher a finitude da vida para transcendê-la de forma definitiva. Jesus nos aponta que Nele a finitude torna-se porta para uma experiência de presença que não pode mais deixar de existir.

A vida vence sempre, mesmo que agora transformada pela ressurreição dada em Cristo. Acreditemos nisto, cuidemos dos outros e cuidemos de nós mesmos, pois ambas centelhas apontam a Luz que emana da Trindade. Estejamos juntos uns aos outros e possamos nós contar com os samaritanos nos momentos em que nós formos os "homens e mulheres feridos ao longo da estrada" (cf. Lc 10,25-37). 

Sejamos!!!

Postado por Ir. Anderson S. Barroso 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Voltaram por outro caminho


A palavra CAMINHO tem grande importância dentro da Bíblia, sobretudo para os textos do segundo testamento. Pode passar despercebido à maioria das pessoas, mas para as primeiras comunidades, falar do caminho, ou daqueles que se colocam no caminho é falar da própria comunidade cristã nascida após a experiência com o Ressuscitado. Os evangelistas afirmam que Jesus mesmo é o caminho (Jo 14,6), aquele que leva ao Pai (Jo 14,9) e indica uma nova forma de vida (Mt 20,25-28).

O evangelho do último domingo (Mt 2,1-12) narrou a visita dos Reis Magos ao menino Jesus recém nascido. Esta visita é precedida de um outro encontro, com o Rei Herodes. Dois encontros. Duas realidades completamente diferentes. Duas propostas de vida. Diante de nossa realidade sociopolítica penso que este evangelho pode iluminar nossos passos e também nossa conduta.

Um primeiro entendimento que podemos tirar na narrativa de Mateus é o fato dos Reis colocarem-se no caminho, guiados por uma estrela. Colocar-se no caminho é sempre uma atitude corajosa e de desprendimento. Demanda de nós abertura, confiança num plano maior de vida, liberalidade frente ao futuro. É preciso confiar que estamos sendo guiados, nesta vida, por uma luz maior que dá sentido à nossa vida. No caminho indicado por esta luz vamos encontramos muita gente que se acha importante e que quer exigir de nós comportamentos e direcionamentos específicos, que garantem que seus objetivos gananciosos e perversos sejam mantidos. De acordo com o evangelho também foi assim o ocorrido com os magos. Eles, porém, questionam-se internamente a respeito destes propósitos.

Seguindo a estrela os Reis encontram-se com Jesus, centro de nossa fé. Temos o costume de dar grande importância aos presentes trazidos: ouro, incenso e mirra. Estes são vistos por muitos exegetas (estudiosos do texto bíblico) em vista do futuro de Jesus. Pode passar despercebido, porém, que Jesus é o grande presente recebido pelo ser humano, pelos diferentes povos que os Reis Magos simbolizam. A experiência com Jesus Encarnado muda completamente a perspectiva de vida daqueles que o encontram verdadeiramente. A luz do caminho fez-se carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Para nós hoje, imersos em uma realidade premente de experiências fortes e emotivas de fé, é interessante perceber que os Reis vão, visitam o menino e depois retornam às suas realidades. A experiência com Deus é feita de forma única e significante, que marca toda a vida. Mas só tem sentido real se ela pode ser ampliada e levada às realidades da vida cotidiana. Eles então voltam para sua região com cita o texto (Mt 2,12).

Percebemos que a experiência com Jesus nos impele a buscar o novo, novas realidades, novos caminhos. A própria história da Igreja mostra que o Espírito Santo impulsiona-nos a estarmos sempre sobre novos caminhos. Mas o novo pelo novo não resolve. O outro caminho inspirado por Jesus é sempre um caminho de vida. Se os Reis escolheram voltar por outro caminho é porque viram que o caminho que passava por Herodes era um caminho de morte, de controle social, de garantia do poder opressor. Não deve ser este o caminho dos cristão. Não nos basta tomar novos caminhos. É preciso escolher caminhos novos que gerem vida. 

Certamente grande é o desafio de tomarmos caminhos novos. O papa Francisco tem insistido muito neste sentido. “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (Evangelii Gaudium). Temos muitos novos caminhos a trilhar. Caminhos novos sim, mas que nos levem de volta para nossas realidades mais profundas, mais internas e essenciais, que gerem vida porque o nosso Deus é o Deus da vida.

Sejamos!!! 

Postado por Ir. Anderson S. Barroso, fsg

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Ide para essa terra que mana leite e mel


Começou o ano de 2019. E as notícias vindas do recém empossado governo brasileiro não são das melhores. Vou me resumir aqui a falar daquilo que me cabe como Nutricionista e Teólogo: o fim do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - CONSEA.

Através de MP nº 870, assinada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro, fica alterada a Lei 11.346 de 2006, lei que regulamenta o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - SISAN. Na prática as alterações eliminam o CONSEA como um órgão integrante do SISAN (Se você quer conferir os incisos alterados clique aqui).

Para que compreendamos o real impacto desta medida precisamos entender o que era o CONSEA e suas atribuições. Ele foi criado com órgão consultivo, com a participação de diversos membros da sociedade civil. Era composto até então por 60 conselheiros, sendo 40 da sociedade civil e 20 do governo. Era, portanto, um importante instrumento de escuta. Com seu fim, a voz da sociedade a respeito da alimentação deixa de ser (oficialmente) ouvida pelo governo. Mas o que ela estava dizendo? O que pode ter motivado esta decisão por parte do governo?

Em suma o CONSEA dedicou-se a defender e promover o direito humano básico ao alimento e nutrição. Isso parece algo importante de ser defendido sobretudo no Brasil onde ainda aproximadamente 5,2 milhões de brasileiros passam fome e outros tantos milhões sofrem com doenças relacionadas à alimentação não saudável. O Conselho mobilizava e apoiava toda a sociedade na discussão de ações públicas que buscassem resolver esses desafios. A inclusão do direito à alimentação na Constituição Federal, o incentivo à Agricultura Familiar, à Política de Agroecologia e Produção Orgânica, a implementação da compra de produtos da agricultura familiar por órgãos públicos foram suas grandes vitórias. Todas estas ações são determinantes na busca de um país com uma alimentação cada vez mais saudável, que respeita as identidades culturais locais e a história alimentar de seu povo.

Mas talvez não seja este o objetivo dos nossos atuais governantes. Como denuncia Leonardo Boff, o alimento agora é visto unicamente como produto e não como dom da vida dado por Deus (conferir aqui). Incomoda um dos grandes questionamentos do CONSEA: a luta por alimentos de verdade, não industrializados e sem veneno. O que importa aos negócios das grandes multinacionais não é possibilitar ao povo um alimento saudável mas um produto que tenha gerado bastante lucro para suas empresas. E a indústria dos agrotóxicos (muitos deles já proibidos na maioria dos países de primeiro mundo e ainda liberados no Brasil) continua sendo uma grande fonte de lucro. Uns poucos ganham, muitos saem perdendo. 

Preocupa-nos que um governo que se diz motivado por princípios cristãos estejam tão longe da palavra de Deus e da prática de Jesus junto aos alimentos e aos famintos. Parece-nos que a terra que mana leite e mel continua sendo buscada por um povo de cabeça dura (Ex 33,3). Apresenta-se um projeto de crescimento que não valoriza a terra, a biodiversidade, as grandes riquezas naturais do nosso Brasil. Um alimento que não gera nutrição, mas doenças e desequilíbrios para as pessoas e todo o Meio Ambiente.

Não nos enganemos. Não é possível gerar bem para uma nação inteira ao mesmo tempo que a saúde dos agricultores é destruída, a terra é envenenada e a população mais pobre só tenha acesso à alimentos contaminados quimicamente e de baixo valor nutricional pela alta industrialização. Jesus veio para que TODOS tenham vida e não somente uma parcela. Para isto precisamos continuar dialogando e buscando soluções para nossos prementes desafios relacionados á alimentação. Continuemos no caminho, mesmo que ele nos pareça difícil. Que 2019 nos traga muita resiliência. Precisaremos. 

Sejamos!

Postado por Ir. Anderson Silva Barroso, fsg


terça-feira, 31 de julho de 2018

Bem aventurados


Para nós cristãos, a prática de Jesus é o modelo de vida e conduta. É a partir de sua existência humana, vivida com suas alegrias e tristeza que balizamos a nossa, ou pelo menos, que intencionamos fazê-lo, com a devida percepção de nossa limitação. A vida de Cristo nos aponta a meta da humanidade, buscando uma vida com mais vida para todos e todas.

Um dos textos bíblicos que sempre foram utilizados para animar-nos nesta difícil tarefa é o texto das bem aventuranças. Embora mostrem uma difícil situação, abrem-nos para uma esperança sempre viva que o Deus Trindade, Deus da vida, está juntos dos pequenos, dos que choram, dos injustiçados, dos humilhados e excluídos. Outros também seguiram este caminho, de viver tempos difíceis mas sem deixar seus valores e sem perder a esperança. Unidos a estes mártires da esperança, neste nosso difícil cenário sociopolítico, poderíamos também nós dizer: 

Bem aventurados os pobres, os pobres massacrados por um sistema econômico que se importa em gerar dinheiro e riqueza e não vida, os pobres que não tem acesso aos direitos que tem, os pobres que os ricos não querem dar nem as migalhas, embora sejam eles a servir sempre a mesa farta... deles é o reino dos céus.
Bem aventurados os mansos, os que se abrem ao diálogo, os que são capazes de escutar sem minimizar a opinião alheia, sem diminuir aquele a que se escuta, o que valoriza a história de vida e as relações dos outros, os que entendem que o que é bom para mim pode não ser para o outro, os que em última instância são movidos pelo amor e não pela necessidade de estar certos... porque herdarão a terra.

Bem aventurados os que choram... os que choram pela total desumanização da escravidão ocorrida nas Américas e suas diversas consequências; os  que choram pelas mulheres diariamente violentadas e mortas, crimes estes frutos de uma sociedade machista; os que choram pelas vítimas de crimes homofóbicos e transfóbicos; os que choram seus entes queridos, que nunca foram encontrados, depois de sequestrados e torturados por motivação política; os que choram seus parentes que morreram lutando por direitos iguais de fato para todos... todos estes serão consolados.

Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, os que dedicam sua vida a causas por missão, os que lutam por equanimidade, pela igualdade na diversidade, os que acreditam ainda num estado democrático, os que buscam que todos tenham o que comer, onde morar, o que vestir, o que sonhar, os que percebem que não pode haver real dignidade em usufruir irresponsavelmente da riqueza enquanto milhões morrem na pobreza... todos estes serão saciados.

Bem aventurados os misericordiosos, ou seja, aqueles que são capazes de agir com empatia, com plena consciência de que somos formados por luzes e por sombras, que não negam o condição paradoxal do ser humano... misericordiosos porque veêm acima do erro, um SER HUMANO. Estes, os misericordiosos alcançarão misericórdia.


Bem aventurados os puros de coração, que não utilizam o direito da livre opinião para ludibriar a opinião pública em clara busca de benefícios próprios, contra minorias e contra os pobres; bem aventurados os que trazem no coração a simplicidade, a poesia, a coerência e a verdade porque verão a Deus.

Bem aventurados os pacificadores, que não utilizam da força bruta e da violência para resolver os problemas que no fundo são frutos da desigualdade social, de privilégios dos grandes e de não acesso à educação e saúde para TODOS, os que são adeptos da não-violência em todos os aspectos inclusive na comunicação... porque serão chamados filhos de Deus.

Bem aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, aqueles que mesmo frente a perseguições ideológicas e políticas continuam lutando pela justiça, lutando contra a corrupção, contra o poder econômico que garante aos ricos maiores privilégios e aos pobres sempre o que resta ou nem isto... porque deles é o reino dos céus.

Bem aventurados vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Ofendidos pela cor da pele, diminuídos pela condição social, perseguidos por lutas sociais ou por buscar a garantia dos direitos iguais... grande será a vossa recompensa no céu.

Não nos esqueçamos que crer em Jesus nos implica a agir como ele agiu. 

Amém!

Sejamos!!! 

Postado por Ir. Anderson S. Barroso

terça-feira, 10 de julho de 2018

Até quando?


Confesso que começo a escrever estas linhas com o coração cheio de tristeza. Tenho feito um esforço para acreditar mais nas pessoas e em suas boas intenções. E isto só me tem trazido gratas surpresas. O fato é que, mesmo com boas intenções as pessoas continuam partilhando comportamentos que eu, em minha vã ilusão, esperava que já não existisse mais, sobretudo no círculo de pessoas com as quais convivo. 

"_Você é moreno bonito porque pelo menos tem olhos azuis". Foi a frase que escutei na semana que passou. Não precisa muita reflexão para perceber que por trás desta frase existe um grande racismo e uma mínima falta de percepção. Digo isto não por simples "achismo" mas por uma reflexão profunda que me seguiu os próximos dias depois desta fala. O primeiro fato é eu, como negro, raramente escuto esta expressão. Só as pessoas mais próximas e familiares a utilizam. A maior parte das pessoas prefere utilizar a expressão "moreno", a meu ver, com a intenção de me fazer sentir bem, o que nem sempre é o que acontece. O segundo fato é que eu não tenho olhos azuis, meus olhos são verdes. Não entendi, sobretudo, os grandes elogios aos olhos azuis que se seguiram ao comentário que a pessoa me fez. Mas o que mais me incomodou é o fato de que ter olhos azuis (que não é o meu caso) é um "pelo menos", como se isto fosse um bônus em relação à inteireza de uma pessoa, que claramente foi colocada em estado depreciado frente a simples cor dos olhos. É no mínimo um comentário que não leva em consideração nenhum real atributo qualitativo para nós, seres humanos, como caráter e valores humanizados.

E antes que todas estas ideias me saíssem da memória e do coração, recebi uma "tentativa" de elogio. Uma pessoa, ao ver um trabalho voluntário que eu estava fazendo, me disse que se ela estivesse em seu antigo cargo (de grande influência política e social) eu iria trabalhar com ela. O comentário veio de uma pessoa que não sabia nada de minha vida, nem de minhas experiências profissionais e de estudos. O que eu percebi foi que ela achou que seria, para mim, uma ótima oportunidade ter que trabalhar com ela. O fato é que cansa ser sempre tratado como empregado todos os momentos de nossa vida. Não houve, no pensar da pessoa, a possibilidade de que poderia não ser interessante para mim ir trabalhar com ela. "A carne mais barata do mercado" não deve ser mais a carne negra. É difícil aceitar, na casa grande, que a senzala agora estudou, se formou e tem outras possibilidades que continuar aceitando de bom grado os grilhões que macularam com sangue nossos ancestrais.

Por mais que pareça falácia, fico a me perguntar até quando teremos que conviver com estes tipos de comportamentos. Mesmo que sem intenção consciente, eles demonstram que, inconscientemente, vivemos ainda as consequências do tempo em que a condição de "ser gente" era definida pela cor. Sonho com o dia em que a cor da pele só seja diferencial para escolher o protetor solar, e nada mais.

Sejamos!!!

Postado por Ir. Anderson S. Barroso, fsg